domingo

A incoerência do futuro

Não entendo, a sério que não, a reforma deveria ser passada a agradar os bons prazeres da vida, a relembrar o que fomos, o que nos tornamos, se valeu a pena, se vamos em paz um dia, mas nada disso é verdade, nesta semana a realidade destes factos bateu-me com toda a força que poderia bater, logo num dos meus pontos mais fracos.
Cada vez entendo menos os conceitos bíblicos, a fé em alguém superior a nós que nos congratula quando cumprimos as suas promessas, quando somos seus seguidores, quando praticamos o bem, como é que alguém que dedica a sua vida a quem ama, filhos, netos, irmãos, alguém que lutou 80 anos da sua vida, alguém que passou pela fase da seca, pela fase da fome, pela fase da agricultura, que nunca baixou os braços, levou e deu, foi a luta, pode acabar o resto dos seus dias numa cadeira de rodas, eu entendo que não temos que esperar a morte para nos sentirmos vivos, mas que condutas são estas, "viva uma vida longa e próspera", onde está a prosperidade numa cadeira de rodas? É com 80 anos que vamos assumir um novo desafio? Isso mata-os por dentro, depois de uma vida de sacrifício ainda terem de lidar com este tipo de situações? Inaceitável! Não consigo mesmo entender a hipocrisia de rezarmos duas ou três vezes todos os dias, para acabarmos assim, não quero culpar na fé tudo o que está a acontecer, mas é do mais hipócrita que existe...
Sabes que estarei aqui para tudo, para te erguer, para lutar pelo teu sorriso, tal como lutaste pelo meu e ainda lutas, tu não morreste por dentro, vives bem dentro de mim e no que depender, serão os melhores anos da tua vida!

sábado

Fases de uma faceta sem facenhas

Por vezes penso, gostava de a ter conhecido noutra fase que não esta, onde tivesse outra face para  a congratular que não a que apresento agora, existem por aí muitas mentes moldadas a plasticina, a minha nunca foi, enquanto ela não apareceu.
Ela ouve-me e pergunta porquê, aconselha-me e pergunta porquê, faz-me andar as voltas dos meus pensamentos tal e qual compasso e pergunta o porquê, sabem porquê? Porque a objectividade das perguntas dela é fazer com que eu me organize na desorganização que está a minha vida.
Ela é estranha, fala pouco dela, fecha-se, tal e qual rainha de copas, mas aqui e ali vai soltando um pouco de si, nem em excesso, nem em minoria, a quantidade perfeita, para me manter interessado.
Eu sempre pensei ser tal e qual gelo, guardar o que é meu para mim e o que é dos outros ainda melhor, pois com ela não consigo, desarma-me com um básico "porquê", com a simplicidade de um "só falas se quiseres" e lá vou eu por ali abaixo, tudo o que me atormenta, tudo o que me chateia mesmo cá dentro, sai de mim sem eu poder controlar o porquê, novamente, ela é estranha.
Tem sido o palco das minhas emoções, o pedestal onde deixo ficar cada bocado do que me faz mal, sinto-me egoísta, ela ouve-me, sem retorquir, sem falar do que se passa com ela, põe isso de lado para me ouvir, se calhar pensa que eu não sei, mas já a vou conhecendo.
Quem olha para ela não nota, que ao longo da sua agressividade e espontaneidade, há uma pessoa magoada, que luta contra os seus medos sem saber que armas pode usar, tenta reagir a um passado pouco favorável, tentando erguendo um futuro em volto de sorrisos e abraços num presente difícil, embora a constante mudança não a tenha ajudado, provou-lhe que quem ri por último, ri melhor.
A intensidade com que vive cada instante por vezes atropela-lhe o pensamento e faz com que tenha uma reacção completamente descontextualizada da situação, muitas vezes divertida outras vezes nem tanto. Mas a delicadeza com que ouve um amigo é que me comove e faz com que me concentre em contar-lhe até o que não era preciso. Ela já quis ver isto, tem vontade de repassar a vista pelo meu passado aqui, descobrir a prioridade e centralização que dou aquela pessoa especial, perceber o quanto significou e significa para mim, mas não tem coragem de me perguntar,, eu sei que ela está curiosa e que por um lado, quer muito saber porque sou assim, eu próprio gostava de saber porquê que ela é assim, espero que um dia ambos tenhamos coragem de nos revelar um ao outro sem filtros, pudores ou vergonhas, pode ser que se surpreenda.
Mas por agora, vamos deslizando nos segredos e epopeias que nos assombram o presente, as correntes que nos mantêm presos a um passado nefasto são duras e fortes, vai demorar a ter que lacera-las e enterra-las, mas estamos cá para o que der e vier, não sei o que somos honestamente, bons amigos ou conhecidos que partilham uma dor que nos conecta a um mundo de insegurança e sensibilidade. Bem, sendo o que somos, estou a gostar de partilhar tudo isto contigo e mesmo que nunca venhas a ler isto, um muito obrigado do fundo do meu coração!

terça-feira

Ainda Te Escrevo

É isso mesmo, ainda te escrevo e sei que ainda lês, sei que ainda observas daí de cima o que se vai passando cá por baixo, na verdade, ainda te escrevo porque sei que me ouves, que me entendes e que ajudas, nada muda o facto de tudo ter sido prematuro, doloroso e muito desgastante mas a história da minha vida é mesmo esta e com ela que tenho que caminhar para a próxima etapa.
A frase que tenho nas costas "So tell that someone what you are thinking of, if tomorrow never comes", retrata na perfeição todo este sofrimento, eu não tive tempo para dizer o quanto te amava, o quanto o meu equilíbrio dependia das tuas pernas, como o meu chão era plano com o teu deslize, como os meus olhos admiravam os teus caracóis, infelizmente todo esse tempo me foi roubado, o tapete foi me tirado do chão e eu tive que lidar com os danos que a queda me proporcionou, tive que crescer cedo demais e em parte a culpa é tua, mimavas-me muito, ficar aos pés da minha cama até adormecer, pequeno almoço feito, e computador novo quando critiquei aquele velho que nos haviam oferecido, fazendo uma retrospectiva, eu não vivia, eu sonhava, porque a minha vida não passava de isso mesmo, um sonho e quando te levaram foi como se me acordassem de um sono profundo 12 anos mais tarde e dissessem "agora desenmerda-te".
Nunca me chegaste a ver com barba, é chato sabes, ter que desfazê-la porque o patrão não gosta ou porque a namorada diz que pica, também não me viste a fazer a depilação com cera quente, ias achas que tenho algum complexo com pelos, mas não, apenas gosto das pernas "limpas", gostava que visses a maneira como cresci, o que hoje em dia tenho, corri atrás de tudo e ainda corro, consegui uma casa, um carro e um emprego do qual me posso orgulhar, hoje sou eu que escolho o computador que quero comprar ou o que quero vestir, tenho saudades da roupa da La redoute que mandavas vir para mim, de alguma maneira era engraçado ver roupa a chegar pelo correio.
Queria que conhecesses o meu cão, o Bugs, é terrível, rata tudo o que encontra e ainda me assalta o caixote, que peste! Desejava poder passear contigo mais uma vez, como fazíamos pelo jardim da parada depois de um almoço na casa da minha avó, lembraste? Claro que te lembras, és como eu, nunca te esqueces dos bons momentos.
Mas na verdade desta redundância toda, ainda te escrevo porque por vezes sinto necessidade de falar contigo, dizer-te o que me vai na alma e esperar um conselho teu, como quando eu estudava e tu me disseste o que fazer quando apanhaste aquele bilhete que dizia "queres namorar comigo? sim ou não", conselhos que valiam ouro e o meu ar envergonhado dizia tudo. Tenho a certeza que não me ensinaste tudo o que me podias ensinar, sinto saudades daquele empadão, daqueles pasteis de bacalhau, sinto saudades tuas, saudades nossas, há uma música, do Luan Santana que me faz sempre lembrar de ti, chamada "Te vivo" e eu ainda te vivo e de que maneira! Podia me ter tornado num revoltado, podia ter seguido por maus caminhos, mas mantive-me rijo, seguindo as tuas regras, "nunca pegues num cigarro", "nunca aceites nada de ninguém", "ouve os mais velhos" e hoje estou aqui e alguns desses conselhos ainda ecoam na minha cabeça, e o pseudónimo que usavas para me tratar, "piolho", o teu piolho, nunca me esquecerei disso, só queria mais uma oportunidade como tantas tive nos meus sonhos, para desta ver não deixar nada por dizer, mas como isso nunca vai acontecer, vou te escrevendo...

quinta-feira

Daemons

Todos nós possuímos "Deamons", há sempre algo que nos atormenta mas que ninguém sabe.
Para quem não sabe, Deamon é um termo técnico informático, que serve para um programa que corre de fundo no nosso computador sem precisar de um usuário para o iniciar, corre simplesmente, independentemente daquilo que possa causar, eliminando estas explicações todas, termos e tudo mais,
a verdade é que, nós temos Deamons.. onde? No nosso subconsciente.


Aquela voz de fundo que ouvimos, que questionamos, que nos diz que não somos capazes, aliada aquela má recordação onde vacilámos no trabalho, onde reprovámos no exame de condução, mesmo após termos sucesso, torna-se num Deamon, a partir daí sempre que estivermos em situação em que não sabemos como decidir, esse Deamon, ainda que ultrapassado, vai retornar, moer-nos a cabeça e fazer-nos acreditar que não é possível.
Eu tenho bastantes e as vezes torna-se psicótico, tanta coisa para processar, tantos "bugs" que tive durante o meu crescimento, o olhar para quem fui e para quem sou, a eterna questão, "Sabes o que vais estar a fazer daqui a 5 anos?" e a outra "Há 5 anos imaginavas-te assim?", já pensaram nisso? Já olharam para trás e imaginavam que hoje iam ser quem são, ou já olharam para a frente e acreditam que daqui em diante serão assim? A sociedade muda-nos a todos, incute-nos o sentimento de necessidade, o consumismo, o materialismo e todos estes "ismos" que hoje não conseguimos viver sem. Tento abstrair-me disso, tento manter-me fiel a pessoa que sempre fui, mas as vezes é complicado, em momentos de indecisão, esses Deamons voltam e mudam a nossa maneira de pensar como um simples click num interruptor desgastado.
Será que alguma vez nos veremos livres deles? Existirá a cura para estes Deamons? Para este backup que é o nosso sistema cognitivo? Eu não sei, só sei que hoje vou ter de lutar contra eles novamente.